Os segredos da doçaria familiar

Estão apuradas as oito famílias semifinalistas do passatempo Brincar na Cozinha com Teka. A 29 de fevereiro, quatro das equipas recriam receitas e disputam um lugar na final.

Guilherme Machado e Maria dos Anjos Machado na preparação da tarte de maça. (Foto: Rui Manuel Ferreira/Global Imagens)

Por Marisa Silva

É de doces que se compõe o banquete da primeira semifinal do passatempo Brincar na Cozinha com Teka. Disputada a 29 de fevereiro entre quatro das oito famílias semifinalistas, reina à mesa a tarte de maçã, a língua da sogra, o salame e o Paris Brest. O vencedor será conhecido a 21 de março.

Família Machado

Na lista de preferências do avô de Guilherme Machado reinava a tarte de maçã e a compota feita da mesma fruta. Em novembro do ano passado, antes de a família submeter a inscrição no passatempo, o avô Abílio Cruz, 69 anos, faleceu após luta contra um cancro. O neto, de seis anos, quis homenageá-lo. “O avô adorava a tarte.” Guilherme frequenta o 1.º ano e gosta de Matemática. Aliás, há contas que se fazem na cozinha, onde começou a dar cartas desde tenra idade. É um bom garfo e provador das confeções da mãe. “Temos uma fotografia dele com dois anos, de avental e chapéu de cozinheiro”, conta a mãe, Maria dos Anjos, que juntamente com o filho faz a equipa da Família Machado, de Mirandela.

Para progenitora e rebento, esta não é uma estreia no passatempo. No ano passado competiram com um bolo de chocolate decorado com framboesas. Chegaram à final. O vale de mil euros em eletrodomésticos da Teka foi convertido num forno, numa máquina de lavar roupa e num exaustor.

Happy Family

Ana Cristina Sousa e a filha Ana Leonor Barros. (Foto: Cristiana Milhão/Global Imagens)

De Vieira do Minho, a proposta de Ana Cristina Sousa e da filha, Ana Leonor Barros, é a língua da sogra, doce típico da região. Aliás, Ana Cristina é pasteleira. O bolo leva massa folhada, chantili e canela e açúcar em pó. “Dizem que a língua das sogras é comprida. Às vezes brincamos com o nome e dizemos que até é boa”, diz Ana Cristina.

Na preparação das refeições, as tarefas destinadas a Leonor adequam-se aos seus oito anos. Parte ovos, arranja a alface e rala a cenoura. Caso conquiste o topo do pódio, o prémio permitirá a Ana Leonor andar pela primeira vez de avião. “Ela sempre teve iniciativa para ajudar. Em pequena punha um banquito para chegar a banca.” Os pais e sogros de Ana Cristina Sousa têm quintais e Leonor gosta de ajudar a apanhar as batatas e de recolher ovos do galinheiro.

M&M

Mariana e Catarina Morais (Foto: Rui Manuel Ferreira/Global Imagens)

Há quatro anos, Catarina Morais e a filha, Mafalda Castro, provaram o Paris Brest numa pastelaria perto de casa, em Vila Real. Desde então, o bolo faz parte das festas da família. Quando começaram as inscrições para o Brincar na Cozinha, confecionaram pela primeira vez o doce. A receita foi aprimorada até se assemelhar à da pastelaria. É simples e demora uma hora e meia a fazer. “Em França, quando se realiza a volta, há uma etapa entre Paris e Brest. Há muitos anos, a zona de Brest estava com dificuldades económicas e um pasteleiro criou um bolo para chamar as pessoas para verem a corrida de bicicletas”, explica Catarina Morais.

Aos sete anos, Mafalda já sabe fazer arroz seco. As medidas estão na ponta da língua: “Para uma [caneca] de arroz, uso duas de água”. No Natal, recebeu uma cozinha à sua medida. Tem micro-ondas, fogão, exaustor, lava-loiça e um frigorífico de onde saem cubos de gelo. Além de participar no passatempo, o dia 29 de fevereiro marcará a primeira viagem de Mafalda a Lisboa. Na capital, a família pretende levar a pequena a conhecer o jardim zoológico.

Chefs Almeidas

Chefs Almeidas, da família de Carla Lopes. (Foto: Gonçalo Villaverde/Global Imagens)

O salame dos Almeida foge ao tradicional. Leva vinho do Porto e menos açúcar. Entre os ingredientes contam-se ainda ovos, bolacha, manteiga e chocolate. “Todos provam e adoram”, garante Pedro Almeida, o pai responsável pela cozinha da família que vive em Leião, Oeiras. Na equipa, juntam-se ao progenitor, de 41 anos, a esposa, Carla Lopes, e o filho Pedro, de seis anos. A filha mais nova, Núria, de quatro anos, também já gosta de dar uma mãozinha a confecionar alimentos.

Pedro Almeida foi ensinado pela avó materna a tornar-se independente na cozinha. Entre panelas, identifica-se com a personalidade do chef Gordon Ramsay. “É muito assertivo, conciso e direto.”

Os filhos, Pedro e Núria, distinguem bem o que é saudável do que não é. Tanto que uma refeição sem tomate serve de castigo para as crianças. São os provadores oficiais das confeções do pai. “Às vezes estou a fazer o jantar e pedem para comer uma cenoura”, revela Pedro Almeida.

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