Paris-Brest e língua da sogra valem lugar na final

Happy Family, de Vieira do Minho, e M&M, de Vila Real, são as primeiras equipas apuradas para a derradeira prova do Brincar na Cozinha com Teka, a disputar a 21 de março em Lisboa.

A Happy Family é uma das duplas que regressa à capital no dia 21 de março (Foto: Filipa Bernardo/Global Imagens)

Guilherme Machado aprendeu a cortar maçã para a sua tarte em segurança. Os irmãos Pedro e Núria Almeida descobriram um truque simples e rápido para triturar bolacha do salame de chocolate: basta colocar dentro de um saco e bater com o que houver à mão, seja o rolo da massa ou do papel de alumínio. Esses foram apenas dois dos ensinamentos transmitidos pelo chef Chakall ao redor da banca, na primeira semifinal do passatempo Brincar na Cozinha com Teka, realizada a 29 de fevereiro em Lisboa.

Além de múltiplas aprendizagens, a cozinha recheou-se de doces. Durante a manhã, pais e filhos confecionaram tarte de maçã, língua da sogra, salame de chocolate e Paris-Brest. O avental preto dos adultos contrastou com o branco dos mais novos que, antes de meterem mãos na massa, se reuniram à volta da mesa para personalizar os aventais. Havia gatos e formas geométricas para colorir.

Em simultâneo, distribuíam-se os ingredientes pelas bancadas. Cada uma sinalizada com o nome da equipa. Pouco passava das 10 horas quando as famílias assumiram os seus postos para definir tarefas. Maria dos Anjos Machado começou por descascar as maçãs. O filho, Guilherme, cortou-as aos cubos e meteu-as numa panela. De vez em quando, provava uma. Após cozer, o preparado passou pela varinha mágica. Serviu para rechear a tarte.

“É uma receita muito saudável”, frisa Guilherme, de seis anos, que aproveitou a viagem a Lisboa para visitar a tia e pescar no rio. “Apanhei robalo.”

Na banca dos Almeidas reinou a diversão. São de Oeiras e apostaram num salame com vinho do Porto. O filho de Pedro Almeida, também Pedro, não resistiu a dar uma trinca antes de o doce entrar no frigorífico.

Mais concentradas estiveram as duplas M&M e Happy Family. A complexidade das receitas assim o exigia. Coordenadas, mães e filhas confecionaram Paris-Brest e língua da sogra, respetivamente. As iguarias fizeram crescer água na boca e foram as últimas a serem terminadas. Apesar do cansaço de quem acordou às quatro da manhã para viajar entre Vieira do Minho e Lisboa, Ana Leonor Barros, de oito anos, captou a atenção das restantes equipas ao polvilhar cuidadosamente o bolo com açúcar e canela.

Desafio saudável

À medida que os ingredientes se misturavam no tacho, o júri – o chef Chakall, Teresa Lagoa (diretora de marketing da Teka), Jorge Pedroso Faria (editor executivo da “Notícias Magazine”), e Filipe Gil (editor da “DN Life”) – ia saltando de banca em banca, avaliando a interação e o ambiente familiar, dois dos critérios para eleger o vencedor. A apresentação e o sabor também pesaram na decisão.

“Foi uma decisão difícil. A língua da sogra era a receita mais complexa, mas faltava-lhe coisas. A tarde de maçã, que também não estava no ponto, era mais simples”, explica Chakall.

À próxima etapa passaram a Happy Family, de Vieira do Minho, e a M&M, de Vila Real. As duas duplas, compostas por mãe e filha, regressam à capital a 21 de março. A Família Machado, de Mirandela, e os Chefs Almeidas, de Oeiras, levaram para casa mil euros em eletrodomésticos Teka e uma mochila cheia de boas recordações.

“O convívio entre todos foi muito agradável. Além disso, a finalidade é brincar e fazer uma atividade diferente em família”, diz Maria dos Anjos Machado, que vai comprar um micro-ondas e pondera inscrever-se na próxima edição do passatempo.

Até à final, há mais uma disputa. Na ementa, alheira, piza com legumes, filetes e pavlova de frutos vermelhos. À volta do fogão juntam-se famílias de Vila Nova de Gaia, Porto, Braga e Faro. Para a derradeira etapa, o júri deixou um desafio: as famílias devem cozinhar uma receita saudável, aproveitando produtos da época.

“Temos de consciencializar as crianças para o tema da saúde e incentivar a usar açúcar não é o melhor. Nas receitas poderiam ter utilizado o açúcar das frutas ou de coco”, aconselha Chakall, afirmando que “as crianças educam-se de pequeninas”. “Para se sentir a cozinha tem de ser de pequenino, não há outro caminho. Eu cresci num restaurante”, recorda.

Perante o repto dos jurados, Catarina Morais e a filha Mafalda Castro não se afligem. “Já tínhamos pensado fazer peixinhos da horta. É uma receita de Trás-os-Montes”, revela a mãe. Ao invés de fritar, a dupla vai inovar e arriscar assar no forno.

No caso da Happy Family cai por terra a vontade de fazer húngaros. No entanto, Ana Cristina Sousa, pasteleira de profissão, admite: “É um bom desafio”.

Veja o vídeo da primeira semifinal.