Culinária une gerações ao fogão

Quatro das oito equipas semifinalistas do Brincar na Cozinha com Teka rumam a Lisboa a 7 de março para conquistar um lugar na final. Na ementa há alheira, piza, filetes e pavlova.

(Foto: Igor Martins/Global Imagens)

Texto de Marisa Silva

Pavlova de frutos vermelhos, piza de legumes, puré de grão com alheira e filetes de pescada com broa. É com estes trunfos na manga que, a 7 de março, os mini chefs se juntam em Lisboa para a segunda semifinal do Brincar na Cozinha com Teka. De norte a sul do país, é ao redor do fogão que se fortalecem laços familiares e se trabalha em equipa.

Princesas Pinto

Iva e Lia, as Princesas Pinto, são adeptas de combinações inesperadas. (Foto: Rui Oliveira/Global Imagens)

Quando o tema é cozinha, não falta criatividade às Princesas Pinto, de Vila Nova de Gaia. Desde confecionar puré com romã a meter canela nos assados, Iva e Lia não deixam pormenores ao acaso. Têm sete e cinco anos, respetivamente. O pai, Carlos Pinto, é o ajudante. Garante que as combinações sugeridas pelas filhas são perfeitas.

Para o passatempo escolheram puré de grão com alheira. Os produtos vêm de Miranda do Douro, a terra da mãe, Margarida. A alheira é um dos alimentos preferidos das meninas. “Quando vamos a Miranda do Douro voltamos com o carro carregado. Trazemos feijão e grão-de-bico produzidos pelo meu sogro”, conta Carlos Pinto.

Entre tachos e panelas, as irmãs fazem de tudo. Cabe ao pai vigiar. “Tento informá-las sobre o que as pode magoar. Quando era miúdo, o fogão tinha chama. Agora, não se vê nada. Sinto que as crianças têm alguma dificuldade em perceber o que queima.”

Cook L&L

A dupla Cook L&L propõe uma pavlova de frutos vermelhos. (Foto: Igor Martins/Global Imagens)

À segunda foi de vez para Helena Fernandes e Lara Marcos. Há um ano, mãe e filha portuenses tentaram participar no passatempo. Passaram a tarde a fazer licor de uísque e bola doce. No entanto, o vídeo não preenchia os requisitos para a candidatura. Este ano, a persistência levou-as a bom porto com pavlova de frutos vermelhos, um doce indispensável em dias de festa. Na cozinha, Lara recorre a um banco para alcançar o balcão. Tem sete anos, frequenta o 3.º ano e nem a ginástica acrobática lhe leva a energia. “A Lara é uma pequena muito participativa e colabora em todas as tarefas”, diz a mãe.

Para a dupla, a cozinha é ainda um lugar de aprendizagens. “Às vezes, ao fim de semana, aproveitamos para trabalhar as quantidades e até alguns cálculos”, explica Helena Fernandes.

Star of Life

A família da equipa Star of Life (Gabriela, mãe; Camila, filha) descobriu uma alternativa aos fritos para a preparação de filetes de pescada. (Foto: Cristiana Milhão/Global Imagens)

Foi a folhear a “Notícias Magazine” na pastelaria do pai que Gabriela Sousa descobriu o Brincar na Cozinha e a filha, Camila Cunha, demonstrou interesse em concorrer. O nome da equipa foi escolhido pela mãe. Talvez porque a Camila é a estrela da sua vida. Para a dupla de Braga, eleger uma receita não foi fácil. Antes de se candidatarem, prepararam alguns pratos. No momento da prova, a pescada conquistou-as. “Estava deliciosa”, frisa Gabriela.

Em casa, a família procura promover uma alimentação saudável. Gabriela desvenda o segredo dos filetes: “A Camila e o irmão adoram filetes. Arranjei uma alternativa aos fritos. Fiz uma cebolada, onde envolvemos o filete. Depois, vai ao forno cerca de 20 minutos”.

Ao fim de semana, Camila ajuda nas lides domésticas e no fabrico das refeições. Gosta de fazer arroz com salada e ovos. Quer sejam estrelados ou mexidos. No quintal dos avós, gosta “de pôr água e sementes nos buracos”.

Família Gonçalves

A Família Gonçalves vem do Algarve e emprega ciência na criação de uma piza de legumes em que não se recorre a farinha para fazer a base. (Foto: André Vidigal/Global Imagens)

Quando o tempo permite, é no exterior que a Família Gonçalves prepara os alimentos. Têm um local de churrasco, uma bancada e um forno a lenha, ideal para confecionar a piza de legumes com aproveitamentos com a qual concorrem ao passatempo. Em vez de farinha, a base é feita de curgete, cenoura e aveia. No topo é colocado molho de tomate caseiro, as cascas dos legumes assadas, rúcula, presunto e queijo fresco. “A massa, como só leva legumes e eles têm muita água, tem de ser espremida com um pano para retirar a humidade e não ficar demasiado mole”, desvenda Inês Gonçalves, de 17 anos. A estudante forma trio com o irmão, Pedro, de 13, e a mãe, Vera, que trabalha no laboratório de química do Departamento de Engenharia Alimentar da Universidade do Algarve.

Cientes dos cuidados a ter na alimentação, Pedro e Inês preparam os próprios lanches para toda a semana. “Todos os fins de semana fazem doses de bolachas para terem todos os dias”, revela, orgulhosa, Vera Gonçalves. A família soube do concurso através da escola do Pedro e garante que o prémio vai servir para suprir uma necessidade do estabelecimento de ensino: ter um micro-ondas novo.